Cerca de 2,5 mil pessoas compareceram à primeira edição do AgriFutura, evento inédito com soluções tecnológicas e inovadoras voltadas ao agronegócio, que ocorreu nos dias 3 e 4 de março no Instituto Biológico, na capital paulista. Estudantes, produtores rurais e profissionais da área conferiram de perto o que há de mais moderno com a presença de start-ups apresentando novidades, dos órgãos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo expondo os resultados de pesquisas desenvolvidas, além de palestras com especialistas sobre diversos temas relacionadas à inovação. O evento promoveu ainda um Hackathon, onde times de programadores, técnicos, marqueteiros, empreendedores e engenheiros resolveram os desafios tecnológicos apresentados pelos próprios agricultores diante de suas necessidades, sendo que os três primeiros colocados foram premiados. A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) marcou presença no AgriFutura e chamou a atenção dos visitantes com inovações que contribuem para o avanço da agropecuária paulista.

Na solenidade de abertura, o secretário Arnaldo Jardim destacou que nunca houve um crescimento tão expressivo no setor do agronegócio. “O último dado do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de São Paulo mostra crescimento de 1%, sendo que 0,7% se deu pelo agronegócio. Nas últimas três grandes crises econômicas, o ‘agro’ se manteve em evidência, gerando emprego e renda. Portanto é preciso investir em ciência e tecnologia neste setor tão importante para o país e o AgriFutura está contribuindo para isso”, opinou.

Durante a cerimônia de abertura, o representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor da agroindústria, Rafael Vizeu Mancuso, anunciou a primeira linha de financiamento para Internet das Coisas, que está em elaboração. “É uma linha de crédito de recursos não-reembolsáveis que deve financiar projetos-piloto de internet das coisas, onde serão gerados relatórios finais. Todo o mercado brasileiro poderá conhecer quais as melhores soluções tecnológicas para o setor agropecuário e o ambiente rural no Brasil”, afirmou. Mancuso disse ainda que a expectativa é que os projetos sejam recebidos em abril deste ano e, em meados de junho, a seleção desses projetos deve ser concluída. “Se o fornecedor de tecnologia tem interesse, sugiro que busque parceiros para montar um projeto e encaminhar ao BNDES”, frisou.

Para João Brunelli Junior, coordenador da CATI, o AgriFutura permitiu a aproximação de produtores rurais com as novas tecnologias. “O agricultor teve a oportunidade de conhecer as tendências e novidades e avaliar se uma determinada tecnologia é aplicável em sua propriedade”, exemplificou. Em seu estande, a CATI apresentou o equipamento utilizado para fazer o Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária (LUPA) em todo o Estado de São Paulo; um software capaz de realizar o diagnóstico da composição nutricional da atemoia; a terra diatomácea, produto mineral que atua como defensivo biológico no controle de pragas e doenças; a micropropagação de mudas in vitro, técnica que permite que as plantas sejam desenvolvidas com padrão de qualidade, ausência de vírus, fungos e bactérias. 

Ações inovadoras, executadas por órgãos de pesquisa da SAA, também ganharam destaque no AgriFutura. Os visitantes do evento conheceram diversas novidades apresentadas pelos seis institutos de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), como a obtenção de ingredientes a partir da casca do café robusta, sem o uso de solventes, desenvolvida pelos institutos de Tecnologia de Alimentos (Ital) e Agronômico (IAC); o desenvolvimento de antiparasitário com uso de óleos essenciais, seguindo a tendência de formulações alternativas para controle de parasitas nos animais, do Instituto de Zootecnia (IZ); o potencial da aquaponia, que reúne técnicas de piscicultura e hidroponia, apresentada pelo Instituto de Pesca (IP); o desenvolvimento de uma vacina que imuniza a galinha e faz com que o animal, ao excretar anticorpos na gema do ovo, que é usada como aditivo alimentar e possui propriedades funcionais, não promova a produção de bactérias resistentes, desenvolvido pelo Polo Regional da Apta em Ribeirão Preto. Para Orlando Melo de Castro, coordenador da Apta, o AgriFutura permitiu que pessoas de diversos níveis tivessem contato com as novidades desenvolvidas pelos institutos de pesquisa. “É importante inserir a população nesse meio para que ela tenha a consciência da importância do trabalho de pesquisa no setor agropecuário”, ressaltou. Além da presença de órgãos do Estado, empresas privadas com experiência nos mercados de tecnologia e agronegócio apresentaram conceitos de inovação e trabalhos em andamento em seus estandes.


Palestras, exposições e hackathon

O evento contou ainda com o AgriFórum, onde foram promovidos 20 fóruns, de duas a três palestras por encontro, com especialistas sobre diversos temas, como cultivo, pós-colheita, genética, fazenda inteligente, agricultura de precisão, conectividades, entre outros. Mariana Vasconcelos, CEO de uma empresa de tecnologia, abordou o tema de monitoramento de cultivo. “É necessário ter a informação para a tomada de decisão, afinal aquilo que é mensurável, é possível mudar para gerar recomendações ao produtor”, explicou. Felipe Santos, representante de uma empresa multinacional de venda de veículos e máquinas agrícolas, abordou o tema da agricultura de precisão. “Custo de produção e produtividade são duas variáveis que determinam o sucesso do agricultor”, disse.

O Brasil é considerado o quinto país que mais consome internet no mundo, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Em sua primeira edição, o AgriFutura trouxe a tecnologia aplicada ao agronegócio com a presença de 24 start-ups, que apresentaram equipamentos de controle de produção; programas de big data e maket place e criações de softwares e aplicativos para gestão de negócios, como no caso de Leonardo Guedes, representante de uma start-up que apresentou um ‘plano de saúde da vaca’. “Nossa empresa desenvolveu uma coleira com chip que monitora e rastreia a vaca. Com isso, conseguimos detectar a ruminação do animal e saber quando ele necessita ser examinado, se há algo de anormal em relação à saúde daquele animal, saber quando a vaca vai parir, ou seja, nossa ferramenta traduz o que a vaca sente e repassa ao produtor as orientações necessárias para que seu rebanho não seja acometido por imprevistos”, explicou Guedes.

Adquirir conhecimento e promover a interação entre estudantes e técnicos dos órgãos da SAA também foram marcas do AgriFutura. O evento permitiu o estreitamento de laços e a troca de conhecimentos entre extensionistas, tecnólogos e pesquisadores com jovens estudantes por meio do Hackathon AgriFutura, onde 12 equipes com cinco pessoas estudassem propostas e apresentassem soluções para temas, como clima, doenças e pragas, comercialização e extensão rural. A maratona teve o total de 20 horas.

Cinco juízes que executam trabalhos no setor agropecuário assistiram atentamente à apresentação de cada equipe, avaliando a coerência com o tema, impacto, execução e originalidade. Ao final, consagrou-se vitoriosa a equipe Campo Tracker, que apostou no tema transporte e apresentou uma ferramenta que consiste na instalação de “tags” em cada embalagem de produto agroquímico, que é monitorado desde a expedição, passando pelo ponto de venda e chegando até a propriedade do agricultor. “Com isso é possível evitar a falsificação e permitir a total rastreabilidade do produto”, explicou Daniel Penteado, um dos membros da equipe, que espera validar a tecnologia e disponibilizá-la no mercado. Cada integrante da Campo Tracker foi premiado com uma SmartTV de 40 polegadas.


Público que visitou o evento se surpreendeu

Milhares de pessoas, entre estudantes, profissionais do setor agropecuário, professores e servidores da SAA compareceram ao evento e se surpreenderam com o alto nível de interatividade do AgriFutura, bem como do ambiente altamente convidativo para o compartilhamento de ideias e informações. O depoimento dos visitantes não deixa dúvidas em relação ao sucesso do evento. De acordo com a engenheira agrônoma Carolina Machado, o AgriFutura trouxe muitas novidades técnicas. “O que mais chamou a minha atenção foi a micropropagação de mudas executada pela CATI. A explicação da técnica foi muito didática e as palestras altamente enriquecedoras”, opinou.

O produtor de café Fernando Jacob classificou o evento como ‘fantástico’. “Já participei da Agrishow, em Ribeirão Preto. Mas um evento voltado exclusivamente às novas tecnologias foi uma ideia muito interessante. Foram palestras de altíssimo nível e com uma visão bem futurista Não tenho dúvidas que algumas soluções vão ajudar muito o produtor”, enfatizou.

De acordo com Carlos Henrique Paes de Barros, assessor da Secretaria e coordenador do AgriFutura, a expectativa foi cumprida. “Atingimos uma excelente participação de público e é impressionante a unanimidade de satisfação de quem visitou o evento”, avaliou. Barros afirmou ainda que, no próximo ano, uma segunda edição do AgriFutura deve ocorrer em Campinas. “Temos certeza que o evento terá uma segunda edição. A nossa intenção é fazer em Campinas pois é uma cidade que está mais próxima do interior do Estado, o que deve agregar uma participação ainda maior dos homens e mulheres do campo”, concluiu.

 

Fonte: Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Mar/2018 (http://www.cati.sp.gov.br)
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