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Incluir diversos tipos de pescado nas refeições pode tornar a alimentação muito mais saudável. 

A pesquisadora da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Cristiane Neiva, que atua no Instituto de Pesca/APTA, é especialista em Desenvolvimento e valorização de produtos da pesca e aquicultura; Processamento e aproveitamento integral do pescado; Qualidade, segurança alimentar e nutricional do pescado e Tecnologia do pescado e orienta sobre a importância de consumir este alimento.

Veja a seguir as informações e orientações da especialista.

Qual a importância do consumo de pescado em relação a outras fontes de proteínas?

Mundialmente, o pescado – termo que engloba peixes, crustáceos (camarão, siri, caranguejo) e marisco (ostra, mexilhão, polvo, lula) – representa a terceira principal fonte de proteínas na dieta consumida por seres humanos, depois dos cereais e do leite. Vale ressaltar que existem diferenças quanto ao valor nutricional deste rico alimento, de acordo com os padrões de consumo,  espécies mais consumidas, quantidade ingerida e formas de preparo, nas diferentes partes do mundo.

Por que é saudável comer peixe?

Existem vários motivos. Alguns deles são:

  • Devido ao seu alto valor nutritivo, com importantes teores de vitaminas A, D, E e K, cálcio e fósforo, que beneficiam ossos, articulações, músculos, peles e olhos.
  • Se comparada com outros tipos de carnes, como a de boi, de porco e de aves, pode-se concluir que a carne do pescado tem proteína de melhor qualidade. Isso se deve à presença importante de aminoácidos essenciais e também pelo fato da carne do pescado apresentar menor teor de tecido conectivo em sua constituição. O tecido conectivo é uma estrutura que se torna gelatinosa durante o cozimento, e é composto por proteínas de baixa qualidade nutricional, e, por isso, a carne do pescado em geral é mais macia que as demais.
  • A importância dos lipídeos (ou gordura) dos peixes na alimentação humana se deve à presença de ácidos graxos poliinsaturados (AGPI), principalmente os da série ômega 3 (ω-3), que ajuda a reduzir o risco de problemas cardiovasculares e de níveis de colesterol e triglicérides, por exemplo.
  • De acordo com o teor de gordura, o pescado se divide em: magro (ex.: pescada, linguado, merluza, bacalhau) e gordo (ex.: sardinha, salmão, atum, cavalinha). O sabor de cada espécie sofre influências do conteúdo de gordura, sendo, em geral, os peixes gordos considerados por alguns consumidores como os mais saborosos, enquanto os magros apresentam sabor suave e agradam paladares mais requintados.
  • O pescado, em geral, apresenta alta digestibilidade, conforme a espécie, sendo maior que das carnes em geral e do leite, e é por isso que a digestão de uma refeição com pescado se dá de maneira mais rápida, sem deixar de propiciar o aporte nutricional desejado.

Quantas vezes se deve comer peixe por semana? Faz mal comer muito peixe?

Apesar de muitos mitos, as pessoas poderiam comer peixes todos os dias para se beneficiar dos seus efeitos saudáveis. Porém, a literatura científica destaca que, para uma dieta balanceada, o ideal são porções de pelo menos 100g de pescado por dia, consumidas de 2 a 3 vezes por semana.

É necessário consumir mais pescado para que se possa suprir as necessidades de ômega 3, contribuindo para a integridade das membranas celulares e dos tecidos nervosos, bem como para o bom funcionamento do organismo como um todo.

Quanto a fatores limitantes para o consumo de pescado, sugere-se, antes de mais nada, que o consumidor busque segurança quanto à qualidade higiênica e sanitária dos produtos, a qual deve ser comprovada por meio de selos de certificação e registro junto à vigilância sanitária ou aos serviços de inspeção. Além disso, especialistas sugerem que se tenha mais investimento na diversificação de espécies de pescado na dieta alimentar, alterando também as escolhas entre os diferentes organismos, como peixes, crustáceos e moluscos. Pois, assim como com qualquer outro alimento, comendo sempre o mesmo produto ou a mesma espécie, há um risco de ocorrer acúmulo nocivo de potenciais contaminantes, como metais pesados, por exemplo.  

Qual o melhor peixe para comer?

Todas as espécies, tanto as de carne branca e magra, como as de carne vermelha e gorda, apresentam alto valor nutritivo como mencionado. Destacam-se algumas espécies como sardinha, anchova, atum, truta, salmão e cavala, dentre outras espécies gordas, que podem fornecer maiores quantidades de ômega 3.

Pode-se oferecer peixes às crianças?

Embora não haja consenso na literatura sobre o melhor período da vida para a introdução do peixe na alimentação é desejável que ela ocorra, gradualmente, a partir do sexto mês de vida. Tanto para as crianças como para as gestantes, indica-se conversar com o médico pediatra e obstetra, respectivamente, que farão a orientação adequada a cada paciente.

Uma alimentação rica e segura na infância estimula uma alimentação saudável na vida adulta. Portanto, a criança que cresce comendo peixe, provavelmente será um consumidor saudável quando adulto.

Por que o peixe é citado como um dos principais alimentos do futuro?

É tempo de se fazer uma revisão dos hábitos alimentares, a fim de melhorar não só a própria saúde, mas também a do planeta. Diante dessa realidade, a ingestão de carnes de pescado poderá ajudar a diminuir a emissão de gases relacionada ao efeito estufa, por exemplo, por meio da diminuição do consumo das carnes vermelhas.



Publicações Gratuitas

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento disponibiliza publicações gratuitas com dicas de conservação e preparo para aproveitar de forma integral os pescados, com receitas nutritivas e práticas. Desenvolvidos em parceria do Instituto de Pesca e da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), os livros da Série Pescado é Saúde podem ser baixados gratuitamente nos links abaixo ou nas principais livrarias digitais.


Série Pescado é Saúde

Pescado é Saúde – Aproveitamento Integral do Pescado
Pescado é saúde: salga, secagem e defumação
Pescado é saúde: uso do frio

 

Texto: Pesquisadora Científica Cristiane Neiva, do Centro Avançado de Pesquisa do Pescado Marinho

Foto: Pxhere

CECOM - Centro de Comunicação e Transferência do Conhecimento